domingo, 19 de janeiro de 2025

Uma manifestação pacífica a favor dos títulos de livros


"o título é uma parte privilegiada do texto, pois, devido à sua posição, é o primeiro elemento a ser processado."
Aguiar (2002), Títulos, para que os quero?

A coisa mais interessante que as redes sociais (digitais) trouxeram é a massificação do debate público sobre matérias de interesse comum. Um debate instantâneo, assíncrono mas muito produtivo quando bem tomado.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Análise do Tipo de Texto, do Género, das Sequências Textuais e dos Mecanismos de Coesão e Coerência em “A Busca de um Sonho” de Andes Chivangue”

A abordagem do texto ancorada no tipo de texto, no género, nas sequências e nos mecanismos de coesão e coerência, enquadra-se na Linguística Textual, um campo de saber que, dentre tantos aspectos, se preocupa com a explicação de diferentes modos de composição e sequencialização textual. No caso concreto desta pesquisa, o nosso objectivo geral é de reflectir a respeito dos tipos de textos, de géneros, de sequências textuais e dos mecanismos de coesão e coerência em “A Busca de um Sonho” de Andes Chivangue. De forma específica, a pesquisa visa (1) descrever os conceitos de tipo textual, género e sequência textual na óptica de Adam (2001) cit. em Silva (2012), Maingueneau (2004) & Travaglia (2018); (2) caracterizar os mecanismos de coesão e coerência textual na perspectiva de Adam (1986) e Mauai (2021); (3) analisar o tipo de texto, género, sequência textual e os mecanismos de coesão e coerência textual no produto verbal seleccionado e, por fim, (4) descrever a forma como estes elementos constitutivos se relacionam para formar uma unidade de sentido: o texto.

domingo, 27 de outubro de 2024

Os professores de português podem contribuir muito para o desenvolvimento do nosso "sistema" literário

Há qualquer coisa que me intriga nos professores. Parece ser a classe de profissionais que mais se envolve em actividades de transformação da nossa sociedade na dimensão política e social, sobretudo. Não saberia dizer se tais acções são positivas, patrióticas, pertinazes, inglórias ou fraudulentas. O facto é que são acções vistas por todos nós. Ou mais, de uma forma ou de outra, impactam nas nossas vidas, incluindo em dimensões das quais eles próprios se queixam. Cabe, a título de exemplo, mencionar a qualidade de ensino; as dificuldades de leitura e escrita; a iliteracia digital; acções fraudulentas dentro e fora do contexto escolar.

É exactamente neste quesito que o título deste texto encontra chão fértil para ganhar vida e gerar frutos.

O conflito entre o domínio da língua e a liberdade estética na actual produção literária moçambicana


"do que vem sendo produzido, é notório o crescimento do valor estético das obras que vão sendo publicadas, pois as condições de interação entre a crítica e a escrita também melhoraram e, por outro lado, nota-se também que já se confunde cada vez menos o que é mau domínio das linguas e liberdade poética"

Lourenço do Rosário

Não gosto de ser mal percebido nestas coisas de emitir opiniões sobre isto e aquilo. Quem gosta? Cogito, seriamente, na hipótese de passar a incluir ilustrações neste exercício, como uma espécie de tutorial para o manuseamento de uma ferramenta, do mesmo modo como o fazem os usuários do YouTube. Quem sabe ainda consigo ter lá algumas visualizações que me possam render moedas para chancelar estas ideias num volume.

A (ir)relevância de estudar literatura e linguística para se ser escritor

"Nunca tive de ouvir o hip-hop tuga para o fazer." Inicio a minha intervenção com esta frase de Sam The Kid, um rapper português que tem muito a dar aos poetas da minha terra e geração. Entre excessos de egotriping, há, nesta frase, uma verdade. Não é coisa que se possa buscar e aplicar ao contexto da escrita e dizer, com bastante infelicidade, que nunca se leu literatura para a fazer. Seria inglório, para não dizer pior. 

Sei que há muitos casos de poetas/escritores que têm uma relação umbilical com o rap e um contacto mais tardio com a literatura. Embora eu seja defensor deste fundamento para subsidiar relações intertextuais entre a escrita desta geração com o rap, isso não quer dizer que assuma a ideia de alguém dizer que nunca leu os outros para escrever: não é uma declaração honesta.

Será a coerência um elemento dispensável no texto poético?

Gosto da possibilidade de ter outros campos de saber a contribuírem para a compreensão dos estudos literários, ou, pelo menos, dos textos produzidos neste domínio de realização discursiva.

Dentre tantos, existe um que se interessa pela explicação dos modos de composição e sequencialização textual, culminando com a descrição dos mecanismos internos ou externos ao texto que condicionam a interpretação das unidades que nele coexistem.

Embora o texto poético (ou literário, em geral) se beneficie de uma certa especificidade do ponto de vista da sua composicionalidade e estilo, por estar na categoria de texto, precisa, sim, de conter algumas propriedades que o possam garantir alguma sobrevivência na relação autor-contexto-código-canal-leitor.