Clitização é um processo que estuda a colocação dos pronomes clíticos, ou pronomes átonos, sendo me, nos, te, vos, o, a, lhe, os, lhes, as e se, BERGSTRON & REIS (1999: 109).
Apresentamos a seguir um quadro sintético de clíticos não
reflexos e reflexos, consoante a pessoa gramatical e a forma casual a que
correspondem (ibidem):
Pessoas
gramaticais
|
Clíticos não reflexos
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Reflexos
|
|
Acusativo
|
Dativo
|
Acusativo/ Dativo
|
|
1ª singular
|
me
|
me
|
me
|
2ª singular
|
te
|
te
|
te
|
3ª singular
|
o/ a
|
o/ a
|
o/ a
|
1ª plural
|
nos
|
nos
|
nos
|
2ª plural
|
vos
|
vos
|
vos
|
3ª plural
|
os/ as
|
lhes
|
se
|
Contudo, os pronomes clíticos não se limitam a denotar a pessoa gramatical, como refere CUNHA & CINTRA (2005: 299), mas também passam a exalar propriedades morfo – sintácticas características de alguns sufixos derivacionais, MATEUS et all (2003:287). Ex1: Bondosos para as crianças, eles assim o foram. Ex2: O sumo entornou-se devido ao desequilíbrio do empregado.
Para o 1º exemplo, o clítico denota um predicado. O
clítico invariável o é correlato do
pronome forte demonstrativo isso,
pois, pode ocorrer em posição argumental de OD.
Ex: A Ana disse isso. Vs A Ana Disse-o.
Há uma conexão
particular entre as formas do artigo definido e os pronomes clíticos. Ex: Ele comprou os livros que se encontravam em promoção; ele comprou os que se encontravam em promoção; ele
comprou-os porque se encontravam em
promoção.
Essa correlação é notável a nível das 3ªs pessoas do
pronome não reflexo, pois tanto o pronome como o clítico provêm do acusativo do
demonstrativo. Entretanto, tal semelhança não abrange as restantes formas
pronominais, pois, os clíticos de 1ª e 2ª pessoas, bem como os reflexos de 3ª
pessoa, derivam dos pronomes pessoais correspondentes latinos.
Os pronomes clíticos apresentam propriedades formais
específicas que justificam a designação que lhes foi atribuída de clíticos
especiais, por oposição as restantes classes de palavras àtonas (artigos e
preposições), chamados clíticos simples MATEUS
et all (2003: 829).
Os pronomes clíticos, diferem-se das preposições e artigos porque, mesmo quando designam um complemento do verbo, não ocorrem na posição canónica característica desse complemento, mas adjacente estritamente ao verbo. Ex: Eles enviaram-lhes todas as informações pela internet; vs Eles enviaram todas as informações [aos que as solicitaram] pela internet.
Quando vários clíticos co-ocorrem, a ordem por que surgem é igualmente distinta da canónica, aparecendo primeiro o clítico impessoal (sujeito), depois o clítico dativo e por fim o acusativo. Ex: Não se lhos comprou, porque não estavam em promoção. Vs Compra-se lhos logo que seja possível.
Os clíticos especiais clitizam numa classe de palavras específica, o verbo, mesmo que estejam associados ao núcleo nominal do objecto directo(1) e ao predicativo do sujeito adjectival, porém, os artigos e preposições dependem acentuadamente da palavra que se lhes segue imediatamente. Ex: Ela conhece-lhes todos os gostos; Nós estamos-lhe muito gratos.
Os pronomes clíticos, diferem-se das preposições e artigos porque, mesmo quando designam um complemento do verbo, não ocorrem na posição canónica característica desse complemento, mas adjacente estritamente ao verbo. Ex: Eles enviaram-lhes todas as informações pela internet; vs Eles enviaram todas as informações [aos que as solicitaram] pela internet.
Quando vários clíticos co-ocorrem, a ordem por que surgem é igualmente distinta da canónica, aparecendo primeiro o clítico impessoal (sujeito), depois o clítico dativo e por fim o acusativo. Ex: Não se lhos comprou, porque não estavam em promoção. Vs Compra-se lhos logo que seja possível.
Os clíticos especiais clitizam numa classe de palavras específica, o verbo, mesmo que estejam associados ao núcleo nominal do objecto directo(1) e ao predicativo do sujeito adjectival, porém, os artigos e preposições dependem acentuadamente da palavra que se lhes segue imediatamente. Ex: Ela conhece-lhes todos os gostos; Nós estamos-lhe muito gratos.
Os
especiais não têm posição fixa relativamente ao seu hospedeiro, podendo
precedê-lo (próclise), ocorrer no seu interior (mesóclise) ou ainda segui-lo
(ênclise).
Os
pronomes em ênclise, diferem dos artigos definidos de que são homónimos porque
as formas verbais aos quais clitizam apresentam propriedades fonológicas
idiossincráticas consagradas no padrão. Ex: Tu
comes; eu como-o; tu come-lo; podes comê-lo; eles comem-no;
explicando este processo, o pronome clítico o (s)/
a (s) assume a forma lo(s)/ la(s) quando a forma verbal termina em /s/ ou /r/,
dando-se o desaparecimento destes elementos. Apresenta-se como no(s)/
na(s) quando a forma
verbal termina em nasal. Note-se que estas alterações não se registam na língua
padrão quando o verbo é seguido de artigos definidos ou preposições (ibidem).
Os clíticos, apesar de poderem funcionar como
complementos do verbo, não ocupam as posições canónicas destes. No português,
essas posições ainda podem ser preenchidas por material lexical, dando-se o
caso do redobro de clítico.
Ex: Encontrámo-las a elas na feira do livro; Nós
conhecemo-nos a nós próprios melhor
do que ninguém.
Os pronomes clíticos podem ocorrer em posições:
pré-verbal ou proclítica, medial ou mesoclítica e em pós-verbal ou enclítica.
Esta colocação obedece a diferentes regras como se
apresentam a seguir:
Sendo o pronome átono objecto directo ou indirecto do
verbo, a sua posição lógica ou normal é a ênclise, CUNHA & CINTRA (2005:
310).
i)
Na
frase declarativa positiva: Ex: Joguei-os fora; Eles entretiveram-se bastante.
ii)
Na
frase interrogativa directa total positiva: Ex: O Manuel entregou-lhe o
livro?
iii)
Na
frase subordinada infinita positiva: Ex: O
Jardineiro tencionava levá-los ao
jardim.
iv)
Nas
frases com infinitivos soltos, mesmo quando modificados por negação. Ex: Para não decepcioná-lo, deixei a garrota passar.
v)
Quando
o pronome tem a forma de o (sobretudo
no feminino) e o infinito regido da preposição a. Ex: Se soubesse, não
continuaria a lê-lo.
vi)
Nas
locuções verbais em que o verbo principal esteja no infinitivo ou no gerúndio.
Ex: 1 O roupeiro veio interromper-me. Ex;2 Que poderá
dizer-nos aquele estúpido?
Ex:3 Ia desenrolando-se a paisagem.
vii)
Ao
verbo auxiliar, quando se verificarem essas condições descritas anteriormente:
Ex: Ia-me desfazendo dos problemas; Ex2: Vão-me
resgatar, sem meandros nem centavos.
viii)
Quando
o verbo principal estiver no particípio passado, o pronome átono não pode vir
depois dele, neste caso, ocorre a ênclise ao verbo auxiliar. Ex: Tenho-o
feito sempre, mas hoje é que o
percebeste.
i)
Na
frase declarativa negativa. Ex: não vos via há muito tempo. Jamais o teria
imaginado.
ii)
Na
frase interrogativa directa parcial. Ex: quem
te mandou ao mercado? Onde as guardou?
iii)
Nas
subordinadas relativas. Ex: O jovem que lhe amachucou o carro é aquele.
iv)
Nas
orações subordinadas temporais. Ex: Dou-te
o livro quando mo pegares. Ex2: Sempre que se magoava voltava para mim.
v)
Nas
frases introduzidas pelas palavras: também,
até, ainda, tudo, alguém, nunca, nada, apenas, só, todos, jamais, tudo, já,
ambos, entre outras. Ex: Até o macaco se safou dessa.
vi)
Quando
o verbo está no futuro do presente ou no futuro do pretérito, dá-se a próclise
ou mesóclise. Ex: Eu me
calarei/ eu calar-me-ei.
vii)
Nas
orações iniciadas por palavras exclamativas, bem como as que exprimem desejo
(optativas). Ex: Que Deus o abençoe!
viii)
Em
frases com o gerúndio regido da preposição em:
Ex: Em se ela anuviando, em a não
vendo….
ix)
Em
orações alternativas. Ex: Das duas: ou as faz ela ou as faço eu.
x)
Há
casos em que se insere uma ou mais palavras entre o pronome átono em próclise e
o verbo, sendo o mais comum a
intercalação com a negativa não. Ex: Era impossível que lhe não deixasse uma lembrança. Ex: Há tanto tempo que não o via.
xi)
Nas
orações subordinadas desenvolvidas, inclusive quando a conjunção está oculta.
Ex: O sufrágio que me vai dar está para mim uma congregação. Ex2: A minha mãe ordenou me mandassem buscar ao seminário. CUNHA & CINTRA (idem).
Note-se que, em frases em que ocorram tempos compostos ou
a passiva de ser, os clíticos colocam-se à esquerda ou à direita dos verbos se
se derem as condições indicadas anteriormente.
O mesmo acontece quando ocorrem em frases com verbos
modais (dever e poder) e perífrases aspectuais (estar a, começar a). Ex: os rapazes não o devem convidar/ os rapazes não devem convidá-lo. Ex2: Quanto aos
contos, a Maria os está a escrever/
Quanto aos contos, a Maria está a escrevê-los.
Quando o verbo estiver no futuro do indicativo ou no
condicional.
i)
Ex:
O rei tê-lo-á convidado para ministro; Eu apresentar-te-ia ao director, se mo pedisses; Eles dar-lhe-ão uma oportunidade.
Este processo consiste na selecção de um verbo do qual o pronome clítico não é
dependente para hospedeiro verbal, MATEUS et all (2003: 856). Ex: O João tinha-o já convidado várias vezes; O
convite foi-lhe finalmente enviado.
Sublinha-se também o facto de os clíticos se
diferenciarem de outros pronomes átonos (artigos e preposições) por
seleccionarem a categoria sobre a qual ocorrem, o verbo.
Chama-se atenção ao facto de, na posição medial,
ocorrendo em alguns casos com verbos no infinitivo e por vezes com auxiliares.
Portanto, é uma área de conhecimento que exige do falante muita cautela,
sensibilidade e proeza no tratamento da língua.
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ResponderEliminarBoa noite
ResponderEliminarGostei muito deste artigo, pois esta ajudar-me na construção do meu trabalho do fim do curso
Podes me envia o conteúdo que fala da pronominalização
ResponderEliminarContacte-nos por e-mail. elisiomiamboem@gmail,com
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