segunda-feira, 20 de julho de 2026

A problemática da conceituação do verso: uma abordagem dialéctica baseada em “no dorso da sombra” de Hera de Jesus e “é preciso escrever para não adoecer” de Pedro Pereira Lopes

Nos estudos sobre versificação, constatou-se a existência de divergências significativas na definição do verso, sobretudo no que diz respeito ao número de palavras que o constituem. Deste modo pretende-se discutir o conceito de verso. Para a concretização deste propósito, pondera-se: (i) analisar as diferentes conceituações de verso; e (ii) ilustrar, com base em textos poéticos, a aplicação dessas concepções.

Bechara (2009) define o verso como “o conjunto de palavras que formam, dentro de qualquer número de sílabas, uma unidade fónica sujeita a um determinado ritmo” (p. 534).

A intersecção entre a identidade e a consciência das personagens principais em "A Metamorfose" de Franz Kafka e "Nós Matamos o Cão Tinhoso" de Luís Bernardo Honwana

Os livros A Metamorfose e Nós Matamos o Cão Tinhoso reflectem como o contexto social, as expectativas e pressões familiares e comunitárias podem transformar o comportamento do personagem, levando-os à perda da identidade e à alienação. Enquanto Kafka aborda a alienação da personagem em um contexto familiar, Honwana explora a alienação colectiva em uma sociedade colonizada, onde a violência e a opressão são naturalizadas e internalizadas. 

Os livros demonstram o impacto devastador da falta de compaixão e da desumanização, revelando a luta dos personagens para encontrar sentido e dignidade em suas vidas. Nas novelas, as personagens principais actuam como pontes que conectam o leitor à narrativa, revelando temas centrais e a complexidade do mundo fictício. Através de suas reacções, pensamentos e acções, essas personagens manifestam identidades únicas e revelam os conflitos que enfrentam em um ambiente que as molda.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Crítico literário ou ensaísta _ das qualidades para se ser à relevância na cadeia de valor do livro

Nos dias de hoje, tornou-se inexistente, em Moçambique, a figura do crítico literário. Não me refiro à actividade, mas ao título. À denominação. À etiqueta. Enfim, pouca gente se define como crítico literário. Somos todos ensaístas.
Esta preferência por se definir como ensaísta não decorre de uma assembleia geral ou algo similar. É uma tendência que os cultores da metalinguagem em espaços públicos foram tomando, motivados, quiçá, pela percepção viciada e quase pejorativa que se tem de um crítico literário. Pelo que a ideia de se assumir como ensaísta parece ser mais eclética e menos problemática.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

A qualidade da aparição do escritor na televisão/rádio é medida pela qualidade das perguntas do jornalista/apresentador

Não basta publicar um livro, achar que ele é muito bom e, por isso, as pessoas vão comprar, como quem busca a salvação. É preciso vender. O papel da venda não cabe apenas à livraria ou a outros meios tradicionais para esse fim. Hoje em dia vemos editoras e autores nessa actividade. É positivo e interessante ver tanta gente envolvida nisso. Uma das figuras que devia fazer parte deste movimento é o jornalista/apresentador de televisão/rádio. Cá entre nós, não vale a simples entrevista cujas perguntas parecem ter sido extraídas de um manual de instruções. Inflexível. Padronizado. Estanque. É preciso que haja algo a mais.

sexta-feira, 27 de março de 2026

"a literatura não se faz apenas com génios, há uma segunda camada que é importante"

Lembro-me desta frase de Eugénio Lisboa sempre que me é pedida uma revisão de um livro de prosa. A mesma foi proferida numa entrevista concedida pelo escritor e crítico literário a Pedro Mexia, e foi publicada no Jornal Expresso a 28 de Fevereiro de 2021.

A voz de Lisboa ecoa no ouvido quando revejo prosa, não porque tal não se aplique à poesia. Ocorre, talvez, por ser na prosa que encontro bons exemplos para o alcance desta frase.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Perigos do isolamento e do comportamento de manada na criação literária

São poucas as frases que se tornaram clichês quanto esta: escrever é um acto solitário. O que ela reproduz é qualquer coisa de ritualístico, que nem sempre é comum entre os que têm, na escrita, uma actividade sócioprofissional. Há gente que precisa desse "ritual" e estabelece um cronograma para o efeito, mas há quem prefira escrever enquanto sente o pulsar do objecto da sua redacção ou, não raramente, com uma música que lhe transporte ao cerne da sua imaginação.