segunda-feira, 22 de julho de 2013

Os Solavancos a que a literatura nos remete: sobre a ficcionalidade literária!


Estas coisas de nos envolvermos com a escrita literária e seus campos adjacentes tornam-nos tão hipócritas que nem nos damos conta disso. Consideremos, portanto, que a noção de hipocrisia aqui trazida é deveras literal para que se submeta sem reservas a qualquer estereótipo preconcebido pelas e entre as pessoas.
Vejamos, ao envolvermo-nos com a escrita, criamos uma personagem a nosso gosto, ponderação e exigência para que fale por nós de forma bela, acima de tudo, em sessões de autoterapia a que chamamos de exercício artístico. E, sem nos apercebermos, esse Outro (artístico) torna-se muitas vezes diferente do Eu (sujeito biopsicosociocultural). Daí a velha e célebre frase Pessoana: “o poeta é um fingidor”.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Em jeito de reflexão sobre a cidadania


I
Sou melomaníaco assumido. É exactamente esta a razão que me fez dar ouvidos a uma música linda (no mais preciso sentido do termo) intitulada “if you are out there” cuja autoria é atribuída a John Legend. Repeti a música por não sei quantas vezes porque há lá dizeres de extrema significância, entre os quais teríamos:

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Com quantas mentiras se faz um grande amor?

Há qualquer coisa de nefasto nas frases que disse e não disse.

Nas que disse,
há lá falares lindos
nenecando dizeres meramente ficcionais.
Nas outras que escondi de ti, não para ti, mas por ti,
Para que teu coração não enfartasse de vez,
Divagam falas doloridas e sem métrica.
Claro! Estão todas prenhas de dizeres verosímeis!

domingo, 14 de abril de 2013

UMA CONVERSA FIADA COM MANUSSE JOSÉ

Encontrei Manusse José pelas ondas da internet. Eu, navegando de Xai-Xai para o mundo, e ele, de Luanda, também para o mundo, passando por Xai-Xai (Moçambique) – sua terra natal. Nestas navegações encontramo-nos. Além de um encontro virtual de dois indivíduos, aquilo era o encontro de duas almas inquietas que na busca da quietude foram se crivar nos braços da literatura. É por esta e outras razões que o convidei a ter uma conversa fiada comigo, Elísio Miambo.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

ALIENAÇÃO

Nunca escrevi tão mal em toda minha vida:
semimorta, quando vivida em pessoa
e viril, quando construída pelo demente escritor
que tenho em mim.
Não sei para que bosque levei meus escritos!
Cedi minha razão a gramáticas policiantes
e deixei a minha escrita guiar-se por gramaticalismos
sempre desnorteantes, como os olhos de um homenzinho
etariamente inocentado,
em uma grande cidade.

Viagem ao Maranhão pela Canção de Exílio

Hoje estou com a alma febril.
Padeço de querenças gonçalvinas.
Em meu rosto rodopiam tiras de água,
Por vezes são lágrimas, por vezes é suor…
Choro e esforço-me incansavelmente
Em meio a um sol de assar as entranhas.
Endoideci: quero estar no Maranhão,
A terra que tem palmeiras onde canta o Sabiá!