Estas
coisas de nos envolvermos com a escrita literária e seus campos adjacentes
tornam-nos tão hipócritas que nem nos damos conta disso. Consideremos, portanto,
que a noção de hipocrisia aqui trazida é deveras literal para que se submeta
sem reservas a qualquer estereótipo preconcebido pelas e entre as pessoas.
Vejamos, ao envolvermo-nos com a escrita, criamos uma personagem a nosso gosto,
ponderação e exigência para que fale por nós de forma bela, acima de tudo, em
sessões de autoterapia a que chamamos de exercício artístico. E, sem nos
apercebermos, esse Outro (artístico) torna-se muitas vezes diferente do Eu
(sujeito biopsicosociocultural). Daí a velha e célebre frase Pessoana: “o poeta é um fingidor”.



