Há quem tenha medo que o medo acabe!”
Mia Couto
O que de substancial se pode aprender dos jovens sudaneses e argelinos que recorreram a manifestações para dizer basta aos regimes ditatoriais com mais de duas décadas no poder?
Há quem tenha medo que o medo acabe!”
Mia Couto
O que de substancial se pode aprender dos jovens sudaneses e argelinos que recorreram a manifestações para dizer basta aos regimes ditatoriais com mais de duas décadas no poder?
Olho para a brancura do display com
os mesmos olhos com que Campos de Oliveira olhava para a brancura do papel.
Nasce-me aquele ímpeto de pensar no share
nas redes sociais ou em qualquer destas tantas antologias que se criam à velocidade
do vento e se tornam e-books, magazines, fanzines ou qualquer coisa a que se
tem acesso através de um link para download. Ele e os seus tinham de
esperar pelo prelo. Possas! Mudam-se os tempos, desfazem-se as práticas.
Vou pensando nesta vida de letras que é tão grata quanto ingrata quando assim o acaso decide. Por vezes nem é o acaso que determina. Os egos e o ethos assim o impõem. Talvez Noronha, Craveirinha e Knopfli (todos juntos) possam dissertar melhor sobre este capítulo da conversa. A mim basta este ar do quase, do pode ser que…É um pós-modernismo necessário que tive de experimentar. Coisas da vida, já o disse Milton Nascimento.
não seria a principal finalidade
da boa literatura?
É
com esta questão que se encerra o prefácio que a professora Vanessa Riambau
Pinheiro faz do livro “cães à estrada e
poetas à margem” de Deusa d’Africa. O que está em voga pode não ser a mera
busca pela intencionalidade textual e sim um lançamento do olhar ao que
realmente importa para que o texto seja efectivamente literário.
Longe da falsa divisória da forma e do conteúdo, que se tem tornado norma na actual poesia moçambicana, “cães à estrada e poetas à morgue” é uma intercessão entre o real e o imaginário. O sonho e a realidade. A memória e o devaneio. O mundo exterior e o interior. Uma poética imagética surreal e mimética.
Rui de Noronha
Quão vil torna-se o homem quando consagra grande parte da sua existência à luta pela satisfação das necessidades biológicas. Um homem, quando forçado a prostrar a sua dignidade para apanhar o pão da vida, prova para consigo mesmo que o mais importante não é alimentar-se para viver, mas viver para alimentar-se, independentemente da cruel realidade que o obriga a portar-se desta maneira.

“A verdadeira educação consiste em pôr a
descoberto ou fazer actualizar o melhor de uma pessoa. Que livro melhor há que
o livro da humanidade?”
Mahatma Gandhi
Do latim educatio*, a educação entende-se como transmissão e aprendizado de técnicas culturais para a formação e amadurecimento do homem. Era suposto que este fosse um fim imprescindível de qualquer escola – a busca do aperfeiçoamento das faculdades humanas. Ou seja, antes de a escola focar-se em formar os indivíduos para o trabalho com o fim de desenvolver a economia do país, era míster que se focasse na formação dos indivíduos para o seu desenvolvimento intrapessoal e interpessoal. Não se trata de uma preferência subjectiva do autor, mas de uma necessidade de subordinação entre os dois objectivos.
“Não se nasce mulher,
torna-se mulher”
Simone de Beauvoir
Sexo
é poesia. Esta é a frase que encerra o texto patente na página 27 do livro “o perfume do pecado” como um exercício
sugestivo de se sentir o aroma de um pecado que a nossa vivência religiosa
intitula original. Mas não é sobre sexo que o livro trata como pode sugerir uma
leitura apressada tanto do livro como da capa que, aliás, foi engenhosamente
desenhada.
O perfume do pecado é uma produção poética que se constrói através da metaforização da sensualidade feminina, sobretudo, e da representação de estruturas de sentido que nos confirmam que o texto literário não diz. Sugere.