As coisas que a gente fala!

Para os estudiosos e policiais assumidos da língua, a isto chamaríamos de extensão semântica: refiro-me às conotações que podem advir do uso do termo “COMER”.
Vejam: todo santo diabo que se diz macho, quando chega-lhe a vontade que condiz com o seu papel para com as fêmeas diz: estou com uma AVC a minha namorada, noiva, baby, chick, darling ou gaja, para os mais grosseiros (grosseria ou não, cada um cria um nomezinho a seu gosto e vontade para a sua flor-de-lótus).

Todavia, seja qual for a conotação, a ideia de “comer” remete-nos ao processo de introdução de algo no órgão receptor do sujeito comedor…
Agora, quando o sujeito diz ter uma AVC a sua…[nota: aqui AVC, sugere qualquer coisa como: ALTA VONTADE DE COMER…] está de alguma forma a dizer que vai, através dum dispositivo receptor, receber o objecto a ser comido…
Entretanto, porque o exercício pleno do seu mais nobre papel machista remete-me a um processo inverso daquele que se supõe quando ele diz ter um AVC, a questão que aqui se recusa a calar é a seguinte:

Quem é o/a comido/a: quem é o sujeito comedor?

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