CONTO vs CRÓNICA __ QUE DIFERENÇAS?

Pelo devasso vício de escrever, são várias as vezes em que chega-nos a vontade de juntar letras para falar de alguma coisa que não seja nada. Costumamos ser felizes nisso, porque há sempre algo que sai, a que todos chamamos de texto __ mas que tipo de texto é?
Essa é sempre uma boa pergunta!
Há tipologias que são, de certo, mais fáceis de identificar, mas há outras que partilhando uma e outra característica, acabam pondo tanto os escreventes de textos assim como os próprios leitores em encruzilhadas das quais cada um vai se safando do jeito que lhe convir, e outros chamam a si a humildade de assumir o equívoco provindo do seu próprio desconhecimento dos factos.
Entre essas tipologias textuais de difícil distinção, está o par: CONTO E CRÓNICA. Engana-se quem diga o contrário! Estas são tipologias, até certo ponto, próximas que até o mais instruído dos teorizadores de literatura pode se confundir.
Numa percepção algo pessoal, eu diria que quando o articulista cria um facto completo e com um final determinado, com uma só acção e um só enredo, com delimitação estática de tempo, espaço e personagens, tendo todo esse manancial de elementos centrado num só ponto de interesse, isto é, trazido numa perspectiva linear __ é certo que estamos perante um conto (corrijam-me se estiver errado, embora duvide disso). E, quando estamos perante um texto com cariz jornalístico-literário em que o articulista usa as palavras para dar uma breve informação (de forma menos fria que a notícia, por exemplo) ou narrar alguma situação vivida no quotidiano (podendo por vezes conter personagens), partindo duma visão meramente pessoal dos factos, numa linguagem coloquial ou próxima do leitor a que se destina, podendo estar revestida de certo subjectivismo e com grande carga humorística __ aí tudo indica que estamos perante uma crónica e, contra os factos tudo são argumentos anti-orientados!
A meu ver, a distinção entre o conto e a crónica reside no facto de:
a) Enquanto o conto narra factos decorridos num tempo relativamente maior, a crónica centra-se no presente ou num passado muitíssimo ressente;
b) Se no conto temos um enredo que começa, desenvolve-se e tem o seu sempre ansiosamente aguardado desfecho, na crónica geralmente o leitor é que “faz o desfecho que achar adequado”. Ou seja, na crónica o articulista traz uma reflexão e sugere, de forma subtil, uma opinião e deixa espaço para que o leitor tire suas “próprias” ilações;
c) Em um conto, notamos que o escrevente preocupa-se com as características das personagens (suas manias e defeitos), enquanto em uma crónica, quando não lhe convém, se quer liga a mínima para esses detalhes;
d) Na crónica, o escrevente centra-se muito na realidade, quando no conto ele deixa a sua imaginação “arranhar os céus”;
e) A crónica é mais analítica e interpretativa, sobre determinado assunto, porém menos aprofundada, o que não acontece com o conto.
Enfim, paremos por aqui. Afinal, a política deste blog é dar ferramentas para que o carro leitor vá “pescar” e não oferecer o “peixe” propriamente dito! Dou, a partir de então, por aberta a discussão que promete ser acesa, porque este assunto não é tão simples de tratar quanto pode sugerir o equívoco.

Novo Comentário

:a   :b   :c   :d   :e   :f   :g   :h   :i   :j   :k   :l   :m   :n   :o   :p   :q   :r   :s   :t

Riptors
 
Copyright © RECTASLETRAS.COM. Theme by Nuvem Templates ™ | iVisitas