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terça-feira, 29 de setembro de 2026

O papel das figuras de estilo na construção da subjectividade em “olhos amargos” e “simbologia” de Sérgio dos Céus Nelson

A subjectividade no texto poético não é um fenómeno espontâneo. Ela é construída através de escolhas linguísticas e retóricas, entre as quais se destacam as figuras de estilo. “Geralmente, a construção verbal do texto poético está além das convenções usuais do sistema linguístico”. Neste sentido, as figuras de estilo constituem os principais mecanismos retóricos e expressivos através dos quais essa subjectividade se materializa. Esse trabalho de construção pode ocorrer através de diversos mecanismos, a saber: metáfora, comparação, personificação, antítese, anáfora, entre outras. É a partir desta ideia que se desenvolve o presente texto, centrado em dois poemas de Sérgio dos Céus Nelson, “Olhos amargos” e “Simbologia”, ambos retirados da obra “Vértices da Alma”.

O problema que aqui se coloca pode ser formulado de forma simples: como é que as figuras de estilo, longe de serem apenas ornamentos ou enfeites do discurso, ajudam a construir a voz de quem fala no poema, ou seja, a subjectividade do sujeito lírico?

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Made in Nampula ou jazz do oriente com sabor a kwashala

“Quando o ruído se espalha por toda a baía, retiro o mastro, já sem vida, deste mar quente” porque a vida, em Moçambique, tem mais improvisos que o jazz.

 

Um olhar diacrónico sobre a literatura moçambicana revela-nos que sempre houve uma simbiose entre a escrita e outras artes, sobretudo a música e a dança. Esta surge associada a vários elementos: há registos de autores que retomam certas músicas para com elas dialogar e partilhar a mesma construção temática; outros realizam uma espécie de pastiche de certos registos musicais; e outros, não poucos, têm na referência à música e à dança uma matéria prima que serve de balsamo para as personagens (se se tratar da narração) ou para o sujeito poético (se se tratar da poesia).

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O erotismo como mecanismo de expressão da autonomia da mulher em “proibido” de Franklin Gravata

O recurso ao erotismo como forma de expressão de vários sentimentos, emoções e ideias tem-se tornado uma tendência bastante notável na literatura moçambicana. Olhando para esse pressuposto, julgamos que, de certa forma, o erotismo permite uma abordagem da sexualidade feminina de forma mais aberta, desafiando normas sociais e culturais que frequentemente silenciaram a expressão sexual e dos desejos da mulher.

Neste texto, procuramos, de um modo geral, compreender como o erotismo pode ser um recurso que expressa autonomia da mulher em “Proibido” de Franklin Gravata. Para alcançarmos este propósito, iremos: (i) definir o erotismo na perspectiva de vários autores; (ii) discutir a presença do erotismo na literatura; e (iii) analisar os traços do erotismo no texto “Proibido” de Franklin Gravata.

Durigan (1985) refere que o termo erotismo deriva de “Eros” (Deus do amor), e é uma representação cultural que organiza o desejo sexual de actores visando a atualização do princípio do prazer (p.92).