Depois do ponto, quanto fica ainda por dizer?


Sinto-me escravo do infame desejo de escrever!

Escrevo tudo que inconvém dizer, no dizer falado,

Porque sou o outro de um eu que não se quer atrever

A depor, nem farroncar em papel o que por ele é vivido.

 

Num pacientar só meu, vou escutando os ditames do verso:

__ Senta-te e escreva, se é poesia que pretendes escrever,

__ E…olha, se quiseres dizer não fala, se quiseres falar não diga…no texto,

__ Porque depois do ponto, muito fica ainda por dizer!

 

__ Teu papel como escrevente termina no teu papel,

__ Se tuas letras ferem, quem as leu deixou que o ferissem,

__ Porque em tenra realidade, seu dito é (e sempre será) mutável,

__ Se tuas letras feriram, houve também, quem as deixou que o alegrassem.

 

__ Depois do ponto, muito terá que ser dito, mas por outras gentes

__ que serão abelhas zunzunando em tuas nuas porém imaculadas letras

__ Numa busca ferrenha por dizeres entre-alinhados em teus falares.

__ Porque o escrito só acaba em mãos dos leitores __ eles também são artistas!

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